“Somos sacrários vivos!”, disse
o padre, durante a homilia de hoje. Corpus Christi é uma data que sempre me
comove profundamente. Se alguém quiser experimentar sentir a ação do Espírito
Santo, vá a uma celebração como essa. Ainda dá tempo.
Eu costumo me concentrar em qualquer missa e principalmente na celebração da eucaristia, mas, apenas algumas vezes, muito especiais, tive a real sensação de ser tomada pelo Espírito Santo de Deus.
Certamente, a primeira de minha longa jornada católica
foi em companhia de minha querida mãe Yolanda, ainda na Catedral de Campinas,
igreja a qual ela me levava desde pequena.
Senti também o coração
transbordar de emoção em uma rápida missa, olhem só, depois do trabalho e antes
de ir para a aula da faculdade, em uma capela lá na Puc Campinas. Ia quase
todos os dias, mesmo que chegasse alguns minutos atrasada à sala de aula.
Com o passar do tempo, a gente
começa até a sentir falta dessa sensação, porque acha que se acostumou aos
ritos e que eles não mais te tocarão de tal forma. Mas não é verdade. Existem
momentos certos em nossa vida para que ele nos toque tão profundamente. Não que
as outras missas dominicais não sejam sagradas, longe disso, mas o ápice
acontece de tempos em tempos dentro de nós.
Não vou mencionar todas as
vezes aqui, mas darei um salto de muitos anos até chegar a uma ocasião em que
meu velho pai, já com Alzheimer, aos 85 anos, me perguntou se poderia comungar,
após um jejum eucarístico de muitas décadas. Naquele momento, o Espírito
respondeu por mim e ele se dirigiu à fila da comunhão, recebendo o Corpo de
Jesus vivo iluminado por ele. É um momento inesquecível de nossas vidas.
Voltando para hoje, depois de
exaltar nosso corpo como sacrário vivo, o padre lembrou que, apesar disso,
muitos que se curvam diante da cruz, não o fazem diante dos irmãos, daqueles
que estão ao seu lado.
Essa parte me lembrou duas
situações presenciadas que demonstram essa dificuldade do ser humano.
Certa vez, rezando o terço com
fiéis em uma capela longínqua, um andarilho se aproximou de nós e ficou conosco
durante toda a reza. Seu fiel companheiro, um cachorro manso e com o semblante
tão sofrido quanto o do dono, veio com ele, parecendo entender do que se
tratava. No dia seguinte, ao ver o cão na foto tirada naquela noite, o
responsável pela capela ordenou que não mais permitíssemos a sua entrada. Que
se ele quisesse rezar, tudo bem, mas que deixasse o animal do lado de fora.
Atitude correta de um cristão?
Em outra ocasião, lá do passado, duas garotas vão até Aparecida em um ônibus de uma determinada paróquia. Já haviam ido outras vezes, com devotos animados e engajados em proporcionar uma viagem abençoada, a tão sagrado templo. Mas fazia anos que não iam. Tudo mudara naquele ambiente de fé.
Estranharam ao sentir naquele veículo
uma atmosfera fria e até um pouco hostil, entre os membros daquela
"excursão", estranhamente repleta de ministros da eucaristia e de
outras pastorais da igreja. Havia até um seminarista que as surpreendeu logo no
início com a seguinte frase: "Sobrou para mim ter de fazer a oração para
que tenhamos uma viagem abençoada". Elas não entenderam aquele tom, se era
má vontade mesmo ou apenas uma brincadeira infeliz. O fato é que alguns
ocupantes até brigaram entre si por causa de acentos e, quando chegaram à
basílica, cada um ficou por si, ou no máximo por sua "panela", para
circular pelo local e assistir à missa. Nenhuma instrução sobre horários de
missas ou de locais para juntar aquele povo de Deus, nada de dicas para um bom
almoço, nenhuma foto foi tirada do grupo. Poucas palavras trocadas entre seus
membros e um retorno bem caótico.
Ao terminar a missa de hoje,
antes do início da procissão, o padre ainda convidou os presentes para uma
romaria à Aparecida, marcada para 21 de setembro. Na verdade, ele não convidou,
intimou e fez questão de frisar que não se tratava de uma "excursão"
e sim de uma "romaria". Foi aí que entendi a história acontecida com
as meninas. Certamente essa será bem diferente, com a graça de Deus e a
presença de Jesus.
Que a Trindade Santa se
abrigue em cada coração humano, para que possamos, com a ajuda do corpo de
Cristo, resgatar a humanidade!