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“As fronteiras entre a ‘apropriação’ e o ‘plágio’”

     Quando você se apropria de uma obra, seja ela uma história escrita, um poema, uma música, uma pintura etc e a partir dela cria uma nova versão ou algo novo, partindo do que já existia, desde que esteja claro quem é o autor original, não há mal algum, faz até parte do processo criativo. Afinal, a arte surge a partir da observação da natureza, do que já existe nela e também do que outros já fizeram. É impensável, por exemplo, que alguém se torne um bom escritor, sem que seja um ávido leitor de variados gêneros literários.      É importante que haja uma assimilação de culturas, o que torna possível que se dance balé no Brasil ou em qualquer parte do mundo e não apenas na França ou na Rússia, berço do Bolshoi. Da mesma forma temos de entender quando um estrangeiro faz samba ou bossa nova, gêneros tipicamente brasileiros.     Na literatura é comum haver apropriação de estilos, o que faz com que, quando lemos um determinado autor, possamos identifi...

Qual o valor da Arte?

        Para responder à pergunta do título, em primeiro lugar é necessário saber de que tipo de valor estamos falando. Existem inúmeros significados para a palavra “valor”, principalmente quando se trata de arte. Temos o valor monetário de mercado, mas também temos o valor sentimental, o valor cultural, o valor social, temos o valor da própria arte para o artista, levando-se em consideração o que ele recebe em troca, não em espécie, mas em crescimento pessoal. Certamente poderemos pensar em outros tantos diferentes tipos de valores atribuídos à arte entre os diversos indivíduos que estão de alguma forma em contato com ela.      Na sociedade atual, na maioria das vezes, o fazer arte acaba se tornando profissão também, uma atividade artística pode prover o sustento de um artista, ou não. Enquanto alguns produzem arte em suas horas vagas ou de lazer, outros o fazem no seu dia a dia, como atividade principal. O quanto cada artista recebe por seu trabalho ...

A fome na corte

  Na mesa, lagosta grelhada, arroz de polvo, bacalhau na brasa, vieiras ao molho de manteiga e limão siciliano, tudo isso regado à Sauvignon Blanc para harmonizar. Convidados, senadores, deputados, prefeitos, governadores, ministros, militares, empresários do agronegócio, das indústrias alimentícias, indivíduos das classes mais abastadas discutem a fome, enquanto se refestelam com o banquete. “A fome existe no mundo todo. Um mal muito difícil de acabar. Por todos os lados estão esses indivíduos que se multiplicam sem pensar nas consequências... Uma irresponsabilidade, a meu ver”. Pausa para um gole de vinho e mais uma garfada da deliciosa carne do crustáceo. “É verdade. Fazem os filhos e nós é que temos de nos virar para arrumar creches, escolas e merenda escolar para eles”, reclama um dos prefeitos. “Concordo com os senhores. Em vez de procriar deveriam fazer algo mais útil para o país, trabalhar, fazer exercícios físicos, fechar a boca e manter a forma, não acham?”. Ao term...

"Ficções: a Arte de fingir"

A arte é uma representação da vida. Apesar de não ser a verdade em si, ela nos representa de alguma forma. Um livro que conta fatos, históricos ou um livro reportagem, embora possa ser elogiado pelo seu formato, não pode ser classificado como arte, não pode ser ficção, teoricamente, não deve estar fingindo. Obviamente há a questão da subjetividade, bem como as tão atuais “narrativas fake”, mas não nos cabe nesse momento enveredar por esse caminho. Afinal, a proposta do XIV Encontro de Escritores e Leitores é discutir o tema “Ficções: a Arte de fingir".      Originária do Latim, a palavra “ficção”, vem de “fictione” e significa criação. Podemos, então, com base na realidade, imaginar uma narrativa literária que não é real. Também a palavra de origem latina, fingir, “fingere”, seria “modelar o barro” e passa a ser usada para significar simular, fantasiar, inventar, burlar de alguma forma a verdade. Na arte é mais como criar algo que se parece com a verdade, mas que não é a ...

Eu não sou nada fã de Halloween

     Eu não sou nada  fã de Halloween.  A festa,  que  muitos acreditam  ter sido importada dos EUA, mas que é originária da  Irlanda,  passou  a  ser  mais comumente comemorada  no Brasil  há  algumas  décadas,  no  meu entender,   por  iniciativa  das escolas     de   Inglês.   A  criançada  logo  se animou  de  olho  nas  guloseimas  que  lhe são oferecidas  pra  evitar   as  “travessuras” e os adultos passaram a curtir as fantasias cujas  fotos  vão  rapidamente  para  as  redes  sociais e rendem inúmeras curtidas.      Também não vou ficar aqui defendendo o Saci-Pererê, personagem do folclore brasileiro que se tornou uma espécie de contraponto à festa americana. Acho uma grande besteira ficar alimentando essas competições naciona...

O poema e a canção

     O que esperar de um encontro em que poetas, escritores, leitores e amantes de música discutem sobre poemas e canções? Muitos detalhes interessantes surgiram desse papo no XIII Encontro de Escritores e Leitores acontecido dia 17/09/2021 pelo Google Meet. Não deixe de checar as dicas que serão postadas ao final!      Vale lembrar a origem da palavra poesia, “poíēsis”, do grego, que significa criação, obra poética. Falando de significados, costumeiramente ouvimos as pessoas usarem as palavras “poesia” e “poema” como sinônimos. Entretanto, enquanto poema é uma obra que usa palavras como matéria-prima, a poesia, além de ser um gênero de escrita, pode estar mais amplamente relacionada a outras criações, paisagens, fotografias, objetos etc.      Algo parecido acontece com as palavras “música” e “canção”. A primeira sendo a arte de combinar os sons de maneira lógica e coerente, a canção sendo uma música com versos a serem cantados.  ...

O ratos do palácio

                      No Palácio do Arvorado:                 ─ Tenho uma audiência com o presidente. Pode me anunciar, por favor?                 ─ Ah, sim, senhor ministro, estávamos aguardando o senhor, porém, o presidente teve um pequeno imprevisto e pediu para o senhor aguardá-lo por alguns minutos.                 ─ Huhum, imprevisto. Sei. Tá certo. Onde eu posso aguardar?                 ─ Por aqui, por favor.                 Sentado em um confortável sofá na sala de espera, o ministro da Guerra ocupa-se com um joguinho de batalha no c...