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País sem salvação?

            “Vocês não têm salvação. É muita cachaça e nada de oração”. A frase, dita em tom de brincadeira pelo Papa Francisco a um padre brasileiro que lhe pediu oração, repercutiu nas redes, recebendo muitas críticas e também certo volume de apoio.             Antes de ser papa, Francisco é um ser humano, passível de erros. Sua origem argentina também o credencia para zoar do povo brasileiro, prática comum a ambos os lados de países que rivalizam em vários aspectos, sendo o futebol um dos principais. Era pra ser uma frase engraçada, uma piada, de mau gosto talvez, mas uma piada. A questão é que quando sai da boca do chefe supremo da Igreja Católica, diante das atentas lentes do mundo todo, ganha uma proporção de grandeza exponencial. Afinal, Jesus Cristo, pedra fundamental da religião, sempre pregou que a salvação está ao alcance de todos, desde que se arrependam verdadeiramente de seus pecados. In...

"Cortes, acréscimos... a importância da edição"

     Muitas vezes é difícil para um autor cortar ou modificar trechos de sua obra, seja ela em prosa ou poesia. Sabemos que essa providência quase sempre é necessária, mas raramente encontram-se editores capacitados ou propensos a fazer esse papel, como o que no filme “O mestre dos Gênios”, o personagem da década de 20, Max Perkins, executa brilhantemente. Infelizmente, na maioria das vezes, sugestões são dadas apenas com interesses mercadológicos e não exatamente para melhorar a criação. Desta forma, o próprio autor precisa aprender a editar sua escrita. Precisa saber cortar, saber corrigir, saber ordenar, saber acrescentar e além de tudo saber quando parar.      Algumas modalidades artísticas tratam a edição com mais naturalidade. O cinema parte da gravação de um extenso número de cenas para chegar a um produto final de exibição de alguns minutos, ou de no máximo uma a duas horas. Na pintura, há vários artistas que recriam telas ou ocultam imagens que n...

Dia de lutar contra a mentira

       Para ¨comemorar” o dia de hoje, convencionado como o “Dia da Mentira”, sugiro assistir ao filme “The invention of Lying” ou título em português, O primeiro mentiroso. É uma comédia protagonizada por Richy Gervais que nos apresenta um mundo nos moldes do atual, com, porém, uma grande diferença: nele ninguém aprendeu a mentir. Ao descobri-la e passar a usá-la, ele conquista fama e fortuna, além de se aproximar da mulher dos seus sonhos.      Tenho de admitir que, na minha opinião, não se trata de um grande filme, é até meio bobo, mas talvez por isso mesmo encaixe-se no rol das comédias românticas, que costumeiramente nos trazem momentos de relaxamento e diversão descontraída.      Sugestão feita, gostaria de lembrar que em nosso mundo real a mentira existe e vem sendo usada a todo vapor, de todas as formas possíveis e inimagináveis, a serviço de causas sérias demais para serem comparadas a um filme. Infelizmente, uma parte das p...

A presença, a ausência e a ocultação do autor em sua obra

       Mesmo quando o autor escreve em primeira pessoa não está, necessariamente, escrevendo sobre si. Da mesma forma, quando usa a terceira pessoa, pode estar descrevendo suas experiências de vida projetadas em um terceiro. O mesmo acontece na poesia, com o “eu lírico”.      Há autores que se fazem constantemente presentes em suas obras de tal forma que se fazem reconhecidos ainda que não sejam personagens da história. É possível reconhecer Woody Allen em seus filmes, inclusive naqueles em que ele não atua, apenas dirige. Há quadros em que os pintores se retratam ou se colocam dentro da sua criação. Por exemplo, no quadro “As meninas”, de Velasquez, o pintor se inclui em um canto da cena, pintando seu próprio quadro.      Já outros não se identificam com tanta facilidade, porém, as próprias escolhas do que escrever e de como escrever trazem a sua marca. Não se encontra Jorge Amado em suas obras, mas se reconhece o escritor na forma ...

Carnaval - é ou não é?

          Hoje é carnaval. Mas também não é. Uma contradição causada por um vírus cruel, que vem nos atormentado há mais de um ano e que nos condenou à ausência de muitas coisas, dentre elas a comemoração dessa festa maravilhosa.      Sim, para mim o Carnaval sempre foi uma festa grandiosa e imperdível.   Quando criança, minha mãe me levava às matinês de salão e também para acompanhar os singelos desfiles de Rua de Campinas (sem querer ofender minha cidade, mas em comparação aos do Rio de Janeiro, por exemplo). A partir de meus dezessete anos, comecei a frequentar os bailes noturnos, que aconteciam em diversos clubes como Bonfim, Cultura, Regatas, Guarani. Embora eu tenha sido sempre torcedora da Ponte Preta, me via por vezes cantalorando o hino do clube rival, cantado à exaustão nos intervalos de cada baile que acontecia no ginásio localizado na Avenida Princesa D’Oeste. Nos primeiros anos da faculdade, eu cheguei a recusar convite pa...

Compete à arte competir?

       Em nosso IX Encontro de Escritores e Leitores, para compor o tema foram lembradas grandes rivalidades entre artistas famosos como Oswald de Andrade e Mário de Andrade, Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald, William Shakespeare e Christopher Marlowe, John Lennon e Paul McCartney, Eça de Queiroz e Machado de Assis, Vladimir Nabokov e Fiódor Dostoiévski, Ferreira Gullar e Augusto de Campos, Emilinha Borba e Marlene, Belchior e Caetano Veloso, Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Muitas dessas competições foram fontes de inspiração para seus componentes, os fizeram criar mais e melhor, algumas delas acabaram com a amizade entre as partes, mas outras foram acompanhadas de cooperação mútua entre elas.      Tendo a competição como regra básica, foram lembradas as Rengas do Japão antigo, formadas por desafios que originaram os haicais, os grandes embates dos repentes e as mais recentes batalhas dos Slams. Essas últimas, protagonizadas pela maio...

Planeta Novo

Autora:   Fátima Gilioli Sinopse: Após detectar uma grave contaminação por vírus na Terra, dois jovens que trabalham no comando espacial da Ala Norte, região V do Alto Comando Militar Intergalático, atuam para neutralizar o problema, diante da ameaça de destruição do planeta que eles têm por função monitorar. Planeta Novo              Em algum lugar do espaço, em uma galáxia muito distante, uma nave pousa suavemente em sua plataforma, retornando de uma longa viagem. O piloto, jovem e arrojado, desce assobiando, feliz por mais uma de suas grandes aventuras concluídas, aparentemente com sucesso. A forma com que é recepcionado, porém, não é nada agradável.              ─ Por onde você andou, cara? Tentei monitorar essa sua jornada irresponsável até quanto pude, mas em determinado momento, perdi conexão. O comandante não ficará nada feliz se souber da sua insubordinação. Em nome de nossa antiga amizade te fiz o favor...