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5 milhões em jogo...ou muito mais?

    Era para ser mais uma temporada de sucesso na TV. Horário nobre, grandes anunciantes, participantes selecionados minuciosamente.

    O princípio era o mesmo de sempre: pessoas de várias classes sociais, de diferentes gêneros, padrões estéticos e raciais, ideologias, humores, jeitos e formas de expressão. Todos confinados num espaço limitado, sem contato com qualquer outro ser senão os habitantes da casa, sem acesso aos acontecimentos do mundo, sem notícias ou contato com parentes, sem celular ou qualquer aparelho eletrônico, sem livros. Além disso, apenas algumas intervenções de imagem e som do apresentador, virtualmente, e algumas horas com um artista famoso, cantando e se apresentando ao vivo durante uma festa.

    Em poucos dias os conflitos eram certos. A divisão em grupos, aliados e inimigos iam se formando naturalmente. Jogos, competições, davam ou tiravam privilégios de um ou de outro.

    Os telespectadores acompanhavam diariamente toda a movimentação da casa, 24 horas, se quisessem, ou, através dos resumos dos “melhores” momentos exibidos todas as noites.

    As dinâmicas levavam a indicações e escolhas dos emparedados, que estariam a mercê de votação para exclusão da casa. Um por semana. Até que, ao final de cem dias, houvesse um vencedor. Aquele que conseguisse permanecer lá até o fim.

    Só que as coisas nem sempre correm como esperado. Os conflitos, muitas vezes, demoram a aparecer. Surpreendentemente, algumas pessoas teimam em ser educadas, em desejar bom dia a todos, educadamente, com respeito e admiração, em não elevar a voz para ninguém, mesmo quando contrariados.

    Mas aquele não era um programa para se mostrar educado ou gentil. Os conflitos teriam de ser iniciados desde o primeiro dia. Tempo é dinheiro. Cada um que encontrasse a sua razão de embate. Afinal, há um valor de 5 milhões em jogo, para os participantes, é claro. Para os donos da bola a bolada é muitíssimo maior.

    Para dar uma forcinha extra, além das provas de resistência já praticadas, que por si já eram cruéis, com a privação de necessidades básicas, foram se implementando técnicas de guerra, de tortura, semelhantes às praticadas nos campos nazistas. Tudo pelo “entretenimento”.

  E foi assim que, com um terço do período em curso, já há número igual de participantes desclassificados e eliminados por votação. Foram quatro até o momento. Um por problemas de saúde, detectado durante uma prova de resistência, um por importunação sexual e dois por embate físico. Os eliminados por vias normais também somam quatro.

    Preocupante? Talvez. Mas só porque pode reduzir o tempo de duração da temporada. Isso sim seria um desastre.

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