Pular para o conteúdo principal

Minhas duas orquídeas –parte II



Volto a contemplar minhas orquídeas e elas continuam lá, mais lindas do que nunca. Tento captar essa energia boa, essa beleza que a natureza nos oferece sem quase nada em troca – só respeito.
Nos últimos dias tenho recebido muitas mensagens de amigos que se dizem angustiados com a perspectiva do resultado das eleições e muito mais com a posição tomada por pessoas queridas deles. Alguns têm tentado, sem sucesso, convencê-los a mudar de lado e é a negativa, muitas vezes acompanhada de palavras duras, ofensivas mesmo, é que doe muito nelas.

Toda vez que eu ouço ou leio esses lamentos, entendo muito bem porque também tenho experimentado esse tipo de decepção e de tristeza. Meu conselho é agir como eu, que tenho tentado não confrontar pessoas que pensem diferente de mim. Não que eu tenha cortado relações com essas pessoas, mas, desde o início do processo eleitoral venho gastando cada vez menos tempo nas redes sociais.

Tenho postado ou reencaminhado textos que traduzem a minha opinião, mas, não comento aqueles que vejo em sentido contrário e procuro não perder tempo com vídeos, áudios, frases com conteúdo agressivo ou de baixo nível. Se recebo algum comentário contrário a minha linha de pensamento, respondo apenas uma vez, tentando argumentar com objetividade e mansidão, abdicando das polêmicas.
Essa estratégia de me preservar emocionalmente tem funcionado. Ao mesmo tempo, tenho me preparado para o resultado, seja ele qual for. De lá para cá, intensifiquei as minhas orações, por entender que só o contato diário e intensivo com Deus pode nos fortalecer e nos amparar.

Digo isso às pessoas, “rezem”, mas, às vezes, acaba soando meio chavão. Não é. Peço que todos acreditem que o Brasil está realmente precisando muito de oração, sincera, pura, seja de que lado venha. Façamos uma corrente de oração, não pedindo que ELE dê a vitória para um ou para o outro, mas, que ilumine as pessoas em suas escolhas, para que escolham o que é melhor para o Brasil neste momento, para que pensem no evangelho como exemplo de vida e em como Jesus Cristo se posicionaria se estivesse na terra. 
Espero que não se amargurem tanto com o que pode estar por vir, porque de qualquer forma, Deus estará do nosso lado. Que ELE nos ajude a transformar tudo isso que estamos vivendo em um ensinamento bom, que nos permita crescer, como eleitores e como seres humanos e que possamos valorizar cada vez mais a vida e a paz.
Independentemente de quem vencer, não foi minha opção no primeiro turno. Já tomei minha decisão sobre como votar no segundo, mas, desta vez não irei declará-la. Não me orgulho dela. “Que vença o melhor” eu não posso dizer, porque para mim a melhor já ficou para trás. Então, que vença aquele que possa trazer algo de bom para o Brasil, para o mundo, que possa como eu já disse nos trazer um ensinamento, seja ele suave ou doloroso. E que a beleza das orquídeas nos contagie e nos faça sentir melhor.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O bom samaritano

“Um homem ia descendo de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de assaltantes, que lhe arrancaram tudo e o espancaram. Depois foram embora e o deixaram quase morto. Por acaso um sacerdote estava descendo por aquele caminho; quando viu o homem, passou adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu e passou adiante pelo outro lado. Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e teve compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão, onde cuidou dele” . Lucas 10,30-34. Um gay ia caminhando pela avenida Paulista, quando foi abordado e espancado por uma gang de SkinHeads. Depois que ele estava desacordado de tanto apanhar, foram embora e o deixaram ali, quase morrendo. Um pastor que passava pela mesma calçada, viu e o ignorou, seguindo adiante, a caminho do culto. Um político também passou e desviou do caminho. Afinal, nem era época de el...

Balada: a arte da narrativa em poemas e canções

       O nome Balada vem de uma tradição francesa, na era medieval, e o significado do termo tem  mesmo relação com o ato de bailar. Mais tarde se torna muito popular na Inglaterra e na Irlanda também. É uma cultura oral em que o poeta está em ato se  apresentando para uma plateia.  Por isso  estão  presentes  os elementos  teatrais. Ele faz todas  as inflexões de voz,  molda seu gestual,  tudo para a  história  que está contando. Muitas  vezes é acompanhado de um alaúde ou outro instrumento musical. Uma poesia muito próxima do espírito da  canção. Portanto, a balada está  muito ligada às próprias  origens do teatro. Uma origem muito performática, muito musical. E a balada tinha essa característica muito própria  –  era uma contadora de histórias, uma narrativa em versos.      Justamente por ser uma cultura baseada na oralidade, poucos nomes de compositores de b...

Comédia: gênero menor ou maior?

  O gênero comédia, embora explorado por grandes nomes da literatura, do cinema, do teatro entre outras artes, raramente rendeu algum prêmio de destaque, tanto por autoria, atuação ou por um misto de atividades envolvidas com a sua criação. E isso só aconteceu quando a produção mesclou um pouco de drama à história, nos levando a crer que a pura comédia não esteja sendo considerada digna do topo, que esteja sendo entendida como inferior ao drama, à tragédia, ainda que, comprovadamente, de qualidade e sucesso. Exemplos não faltam. Entendida prioritariamente como um instrumento de lazer — as gargalhadas nos relaxam e nos afastam dos problemas do dia a dia — a comédia, quando bem elaborada e interpretada, pode nos levar a refletir sobre os problemas da sociedade, mas de forma leve e descontraída, tornando-se um importante canal de comunicação. Não é à toa que as crônicas de Fernando Sabino, de Lu í s Fernando Veríssimo e muitos outros tenham ido parar nas escolas, como fonte de estudo ...