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Postagens

O bom samaritano

“Um homem ia descendo de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de assaltantes, que lhe arrancaram tudo e o espancaram. Depois foram embora e o deixaram quase morto. Por acaso um sacerdote estava descendo por aquele caminho; quando viu o homem, passou adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu e passou adiante pelo outro lado. Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e teve compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão, onde cuidou dele” . Lucas 10,30-34. Um gay ia caminhando pela avenida Paulista, quando foi abordado e espancado por uma gang de SkinHeads. Depois que ele estava desacordado de tanto apanhar, foram embora e o deixaram ali, quase morrendo. Um pastor que passava pela mesma calçada, viu e o ignorou, seguindo adiante, a caminho do culto. Um político também passou e desviou do caminho. Afinal, nem era época de el...

Quando tudo é arte, nada é arte

  Mais uma vez, em nosso Encontro de Escritores e Leitores, somos provocados a discutir o que é arte, refletindo também, na verdade, sobre o que não é. O assunto surgiu a partir do livro “Argumentação contra a morte da arte”, de Ferreira Gullar, em que ele grafa a frase “Quando tudo é arte, nada é arte”. Não cabe aos escritores o papel de determinar de maneira impositiva “isto é arte”, ”aquilo não é”. Na verdade, estamos muito mais para ser julgados dessa forma, por nosso trabalho, do que para julgar. Entretanto, podemos refletir sobre isso, tanto para termos uma visão mais ampla dos mecanismos que envolvem a produção e a exposição de arte pelo mundo, quanto para que nós mesmos possamos avaliar aquilo que estamos produzindo. De acordo com Gullar, o movimento impressionista do século XIX não foi bem compreendido pelos críticos, que fizeram pouco dele, mas, que passados poucos anos, acabou ficando evidente que havia grandes gênios entre os artistas da época. Monet, Van Gogh, Renoir.....

WhasApp - como a gente usa?

Por que será que hoje em dia as pessoas acham que podem resolver tudo pelo WhatsApp? Nada contra essa rede social. Pra falar a verdade, eu até a uso com frequência. Mas utilizo para o fim que acho que ela deva ser usada: para falar diretamente com familiares e amigos, sobre assuntos que não são tão urgentes, em lugar de ligar e correr o risco de interromper algo que a pessoa esteja fazendo (detesto quando acontece comigo!). Nada de ficar esperando resposta na hora, vendo se visualizou ou não e essas paranoias todas. Também participo de alguns grupos, novamente de familiares, de amigos, de pessoas com interesses comuns etc. Só que tem um lado maléfico dessa rede que faz com que as pessoas percam a noção do que é se relacionar em comunidade ou em sociedade. Parece que estão em uma arena, prontos a atacar quem quer que seja, sem qualquer risco ou dor na consciência. Primeiramente, está cheio de gente por aí que passou a se “informar” por WhatsApp, ou por sua versão russa, o Telegram...

Duas posses

  Hoje busquei algumas fotos antigas, de primeiro de janeiro de 2003, quando participei de uma das experiências mais emocionantes da minha vida – da primeira posse do presidente Lula. Embora eu não fosse filiada a nenhum partido político, a ascensão ao poder por um homem de origem humilde, com uma trajetória de luta por causas sindicais, estigmatizado pelo preconceito e chamado de analfabeto por pessoas que desacreditavam de sua capacidade, fizeram com que me decidisse a aceitar o convite de uma amiga e acompanhá-la naquela aventura em Brasília. Foi, sem dúvida, um grande momento para o Brasil, ofuscado depois por fatos que se sucederam. As imagens de hoje, primeiro de janeiro de 2023, capturo pela televisão, de onde ouço os discursos emocionados de um presidente iluminado, que recebe uma nova chance de, conforme suas próprias palavras, “fazer melhor do que antes”. A promessa é de recuperação da economia e combate à fome e à desigualdade. Por todo o retrocesso e barbaridades ...

Primavera em Outubro

    Sempre que vai chegando a minha época preferida do ano, eu publico foto das minhas orquídeas com suas belíssimas floradas. Às vezes escrevo até uma crônica para acompanhar.      Este ano tem sido um pouco diferente. Elas demoraram muito para florescer. Tem ano que em agosto já surgem os botões. Este, estranhamente, só começaram a brotar no final de setembro. Mas também pudera. Estamos em outubro, e a primavera ainda não chegou! Ao menos, é assim que eu sinto. Temperaturas abaixo do normal, ainda que os ânimos estejam exaltados.      Alguma razão há de ter. Não sou adepta a esoterismo, tarô, horóscopos, essas coisas, mas arrisco dizer que vivemos tempos anormais, estranhos, esquisitos mesmos, com até as leis da natureza sendo “contestadas”. O ar parece mais poluído do que de costume, os dias mais cinzentos, tenebrosos, como se vivêssemos um conto de terror (a cada dia se sobressai um vilão diferente). Não gosto de terror! Sou escritora adep...

Antropofagia: um modo de ser brasileiro?

  D ifícil falar sobre antropofagia sem pensar na Semana de Arte Moderna de 1922. Afinal, ela foi um marco para o Brasil em termos de busca de identidade cultural. Mas a arte, a literatura brasileira que existiu antes dela, se “alimentava” de quê? Sem nos prender a datas, podemos, primeiramente, classificar a literatura brasileira como sendo aquela criada por brasileiros, de uma nação em formação, seja em que período for ou mesmo aquelas criadas por nativos de passagem por outros locais do mundo.      Se analisarmos o quadro “Caipira picando fumo”, vemos o pintor Almeida Junior, ainda no século XIX, com uma preocupação de retratar o Brasil, mesmo que com uma estética europeia.      Quando Lima Barreto escreveu “Triste fim de Policarpo Quaresma”, publicado ao longo de 1911 como folhetim nos jornais, editado em livro em 1915, antes, portanto, do movimento modernista, tinha como temática o sujeito patriota, ingênuo, que queria descobrir o que era ser ...

“As fronteiras entre a ‘apropriação’ e o ‘plágio’”

     Quando você se apropria de uma obra, seja ela uma história escrita, um poema, uma música, uma pintura etc e a partir dela cria uma nova versão ou algo novo, partindo do que já existia, desde que esteja claro quem é o autor original, não há mal algum, faz até parte do processo criativo. Afinal, a arte surge a partir da observação da natureza, do que já existe nela e também do que outros já fizeram. É impensável, por exemplo, que alguém se torne um bom escritor, sem que seja um ávido leitor de variados gêneros literários.      É importante que haja uma assimilação de culturas, o que torna possível que se dance balé no Brasil ou em qualquer parte do mundo e não apenas na França ou na Rússia, berço do Bolshoi. Da mesma forma temos de entender quando um estrangeiro faz samba ou bossa nova, gêneros tipicamente brasileiros.     Na literatura é comum haver apropriação de estilos, o que faz com que, quando lemos um determinado autor, possamos identifi...